Crônicas de Alhures do Sul
Tenho um amigo que faz aniversário semana que vem.
Como ele não gosta de comemorações, vou poupá-lo me calando sobre o nome dele.
Portanto vou me calar também sobre a história dele.
Se não pretendo revelar o nome do meu amigo, não posso correr o risco de sugerir quem seja ao contar a história dele.
Um detalhe aqui, um detalhe ali.
Primeiro a suspeita, depois a certeza.
É o fulano.
Esse meu amigo que faz aniversário semana que vem não gosta de comemorações e se eu contar o motivo, pronto, será fácil identificá-lo.
Ele não me pediu silêncio sobre o aniversário dele.
Eu mesmo tomei a iniciativa de respeitar a aversão dele por comemorações.
É bem provável que semana que vem ele desapareça da cidade.
Ele já sumiu várias vezes.
Sumir é a melhor maneira de escapar de abraços apertadíssimos, pacotes com presentes, votos de muita saúde e felicidades.
Votos de muito dinheiro, sem especificar se muito dinheiro ganho licitamente ou não.
Isso se houver uma maneira lícita de ganhar muito dinheiro.
Enfim, diante da decisão de poupar o nome do meu amigo que faz aniversário semana que vem, hoje não tem crônica.
A crônica acima é de um grande amigo que é também um grande escritor e aniversaria hoje. Não sendo tão discreta quanto o cronista, deixo aqui o nome desse amigo : Manoel Carlos Karam. Esse texto faz parte do rol de crônicas lidas pelo autor na BandNews FM 96,3 às segundas-feiras, entre seis da tarde e sete da noite, e na terça-feira de manhã, em Curitiba. Mas, para nossa felicidade, elas também estão disponiveis aqui.
Karam é dono de uma escrita peculiar e autor dos incomparáveis Comendo bolacha maria no dia de são nunca (um de meus preferidos), Sujeito Oculto, Pescoço ladeado por parafusos, Encrenca (numa escrita vertiginosa), Fontes Murmurantes e Cebola.
Como se não bastasse seu talento literário, Karam é rio-sulense (apesar de ter virado cidadão curitibano) e filho do meu eterno Papai Noel.





