Cartas, diários e gavetas mal fechadas
Está no ar a edição especial de
Paralelos que preparei como editora convidada:
Há quem diga que toda literatura é confessional. Mas a correspondência mantida durante anos entre escritores ou diários descobertos após a morte costumam atiçar a curiosidade de quem acredita que ali, sim, estarão revelados os mais íntimos segredos. E, muitas vezes, há a decepção de descobrir que não há nada que já não tivesse aparecido, mesmo que de forma sutil, ao longo da obra do autor.
Nesta edição especial espreitamos cartas esquecidas sobre a mesa, vasculhamos diários entreabertos em gavetas mal fechadas e apuramos nossos ouvidos para confissões feitas a meia voz. Sob a batuta de Ronize Aline, nossa editora convidada, os escritores-resenhistas leram nas entrelinhas de livros que prometem expor seus autores e nos mostram por que vida e obra costumam caminhar lado a lado.
Além disso, Paralelos lançou um desafio a dez escritores: revelar-se num texto confessional. São cartas, páginas de diários ou apenas digressões que pretendem ir além da literatura de cada um. Mas aqui surge Fernando Pessoa quase a nos alertar para a leitura que se segue: "o poeta é um fingidor/ finge tão completamente/ que chega a fingir que é dor/ a dor que deveras sente".