by Ronize Aline

25.4.05


Das mulheres e suas saias na mesa de jantar

Agachado debaixo da mesa
o menino perdia a inocência

(microconto selecionado pelo Marcelino para projeto na Rádio Brasil2000)

Ronize Aline postou às 18:31
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16.4.05


Romanceiro de Dona Virgo


Resenha que fiz sobre o novo livro de Claudio Daniel, publicada pelo Paralelos:

Receita para confundir livreiro

Imagine um livreiro às voltas com a catalogação de obras recém-chegadas e sua conseqüente arrumação nas prateleiras. Romanceiro de Dona Virgo, de Claudio Daniel, trará problemas a esse profissional. Hesitante, livro na mão, o rapaz pendulará entre as entantes de prosa e poesia sem que saiba onde classificá-lo. Num último gesto desesperado, recorrerá à ficha catalográfica da obra que ora segura como a uma batata quente a queimar-lhe os dedos. Seu gesto se mostrará ineficaz, pois não há pista alguma ali. Não restará outra saída ao personagem dessa resenha do que ele próprio ler e descobrir se são versos, contos ou um romance o que escondem as capas. Talvez só o começo já seja suficiente, pensa ele.

Rapidamente nosso livreiro fictício perceberá que uma olhada fugaz nas primeiras linhas não decifrará o gênero da obra. Sendo assim, mergulhará a fundo num conjunto de narrativas peculiares - como o romanceiro do título sugere - em que Camões, Claudio Manoel da Costa e Cruz e Souza são, mais do que participações especiais, algumas das figuras tornadas tangíveis pelas mãos do autor.

O grande poeta luso, por exemplo, aparece como um artista ainda à espera de reconhecimento e apaixonado por uma moça nativa no conto(?) "Camões em Macau". Após a decepção amorosa, o Camões de Claudio Daniel escreve: "Não pedi perdão aos pés do Salvador, que não mereço tais mercês, mas às musas compensei o seu labor, e, com a lira, o dom fiz verter em versos veros, de bronze". Walt Whitman já escreveu que não há amor sem retribuição: "Amei certa pessoa ardentemente e meu amor não foi retribuído, mas desse alguém eu tirei com que escrever estes cantos". Camões/Claudio Daniel parece concordar.

Claudio Daniel pontua as narrativas com citações de terceiros - mais no sentido de homenagem do que de apropriação - servindo-se delas como marcações de compasso para o texto. Aliás, o autor parece trazer um metrônomo na pena, de forma que cada palavra esteja no único lugar onde poderia estar para não atravessar o ritmo. No caso de "Camões em Macau", dadas as citações serem versos do próprio narrador, tem-se a ilusão de estar acompanhando o poeta em seu momento criador.

Se tivéssemos que definir o estilo de Claudio Daniel talvez disséssemos que é um autor capaz de criar e recriar estilos. Enquanto no texto já citado ele recria o linguajar luso, em "Fantasmas Não Bebem Coca-Cola" a linguagem está mais próxima do que poderia se chamar de fragmentada. Com ritmo alucinógeno, a personagem tenta se salvar da mediocridade num texto de frases sem conexão aparente (ilusão?) costuradas por metáforas, citações, referências pop, letras de música. "O pescoço de esquimó com gravata amarela afoga o pássaro do medo em suas axilas, embrulhado no pedaço de jornal". Veja: "a noite tem peitos de esfinge, olhos de coruja, patas de macaco e asas de morcego". Parece um arremedo de Frankenstein? Talvez, não fosse Claudio Daniel o poeta a fixar-lhe o parafuso ao lado da cabeça.

Em outro ponto alto do livro, "Gavita, Gavita", Claudio Daniel exacerba a hibridização entre prosa e poesia. Na confissão de amor e desespero do poeta catarinense Cruz e Souza devido à loucura de sua mulher, o autor usa parênteses para separar certos grupos de palavras, como se fossem versos aprisionados na prosa: "(certa vez) (sonhei) (um livro) (infinito)". Ao misturar os ritmos da prosa e da poesia, Claudio Daniel oferece construções que, de outra forma, seriam criticadas. Como a rima dentro da prosa, em outro momento do livro: "...e vi atrás de mim, em veste carmesim, a meninha-alecrim, com seu camafeu de marfim, bela jóia dos Ming, roubada talvez em Pequim".

Num belo adendo intitulado "Geometria de Vertigens", Maria Esther Maciel analisa o que ela chama de "prosa de invenção" de Claudio Daniel. Talvez encarado como um complemento, o ensaio encerra o livro. Mas sendo sua análise tão rica, colocá-lo fazendo as vezes de introdução certamente abrilhantaria ainda mais a prosa/poesia inventiva do autor, como faz tão bem Maninha Cavalcante com as ilustrações.

Romanceiro de Dona Virgo
Claudio Daniel
Lamparina, 2004
126 páginas





Ronize Aline postou às 14:39
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11.4.05


É AMANHÃ


Às 10 horas defendo o meu exame de qualificação do doutorado.
Boas vibrações são bem-vindas.

Ronize Aline postou às 17:29
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