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by Ronize Aline
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23.11.03
Por Eulina, Por Américo Há mais de cinco horas ela permanece de pé, ao lado da cama. Ele se debate, agoniado, sem saber ao certo onde está. Ela o acalma, sussura palavras de carinho e de conforto. Diz que o ama, a família o ama, todos o amam. Diz que vai ficar bem, que logo isso passa, o mal-estar, o desespero. Logo volta para casa. Ele ouve sem entender, ou entende sem mesmo ouvir? Não sei, mas abre os olhos com dificuldade quando ela pede um sinal. Sabe que ela está ali, sabe quem é, sabe que estará sempre por perto. Por vezes se acalma, atende aos pedidos dela de relaxar os braços e pernas para que não fiquem doloridos mais tarde. As mãos, enfaixadas para não se machucar quando se debate, cedem e repousam sobre o lençol. As pernas voltam a se esticar. Mas há a febre, o tubo a lhe causar incômodo, uma agitação talvez mais interna do que externa; e logo volta a se mexer. Ela massageia os braços, as pernas, pede que se acalme, que tenha um pouco de paciência pois todos estão cuidando dele e logo poderá ir para casa. Diz mais uma vez que o ama. No silêncio da Unidade Cardiológica Intensiva a voz dela é a única que se ouve. Pessoas chegam e saem para visitar os demais pacientes e se comovem com a cena. Ela permanece e só sai do lado da cama - onde ficou todo esse tempo de pé, mesmo com a perna enfaixada devido a um machucado recente - quando os enfermeiros avisam que já são oito horas da noite, fim do horário de visitas. Visitas que ali são mais longas do que nos demais hospitais; doente precisa do carinho da família, dizem, por isso pode-se passar a tarde inteira com ele, sempre de dois em dois. Acreditam e têm provas de que com esse novo método o paciente se recupera mais rápido pois, mesmo quando inconsciente, é capaz de sentir as palavras de apoio vindas de seus entes queridos, que são encorajadas por toda a equipe. Ela sai, mas amanhã estará de volta. Interrompo as Crônicas de Atlanta para fazer uma homenagem à força, à coragem e à dedicação de Eulina, minha mãe, ao meu pai Américo que passa uns dias numa UTI. Mas que com todo o carinho que tem recebido estou certa de que em breve sairá de lá e voltará para casa.
Ronize Aline postou às 02:36
Deixe a sua palavra: 9.11.03
Crônicas de Atlanta - 2 Passei uma semana muito movimentada em Atlanta. O motivo de minha ida até lá foi apresentar um trabalho em uma conferência de Ciência & Tecnologia, mas é claro que um turismo básico não faz mal a ninguém, então tentei dividir meu tempo entre os prazeres do trabalho e os prazeres do lazer. Acho que o saldo foi equilibrado: fiz contatos importantes com pesquisadores estrangeiros que desenvolvem estudos similares ao meu e conheci a cidade o suficiente para perceber o quanto é agradável e ter vontade de, talvez, um dia voltar lá. Algumas coisas se tornaram marcantes pela sensação de bem-estar que causam, outras pelo incômodo. Para falar a verdade, em uma semana só deu tempo de aflorar uma coisa que realmente aborrece, principalmente se você está com o tempo contado: a falta de taxi nas ruas. Precisa-se ligar para uma central e solicitar um carro; nada daquela praticidade de esticar o braço, fazer um sinal e vários deles se apresentarem rapidamente - algo tão comum por aqui ou mesmo lá, em outras cidades como Nova Iorque. Quando saíamos de casa não era problema; o chato era chegar na estação do metrô - que por lá se chama Marta e circula por baixo e por cima do solo indistintamente, ao longo da mesma linha - e ter que solicitar a condução. Em compensação, há vários exemplos de situações que funcionam muito bem e facilitam a vida de quem mora ou visita a cidade. Uma delas é o hábito dos motoristas pararem em um cruzamento sempre que há pedestres para atravessar. À medida em que se aproximam já vão diminuindo a velocidade para você cruzar a rua sem medo. Não, não estávamos em Londres, mas o respeito ao pedestre é algo cobrado até mesmo nos exames para obter a carteira de motorista: se você não parar para o transeunte, provavelmente será reprovado. Outra situação muito comum é ver em cafés espalhados pela cidade, que são inúmeros (como se toma café por lá, o dia inteiro, caminhando pelas ruas inclusive, e nada de nossas xícaras, são copos grandes mesmo!), pessoas acomodadas com seus notebooks, ligados na própria rede elétrica do lugar, trabalhando ou estudando tranquilamente muitas vezes com apenas um copo de café ao lado. Em nenhum momento são importunados ou coagidos a consumirem mais para poderem permanecer ali, usufruindo de mesa, cadeira e energia locais. Falando em café, os realmente viciados na bebida forte desdenham o produto americano, mas para mim que sou uma consumidora esporádica, o Starbuks tem uma seleção bem a contento - destaque para o com sabor de amêndoas. Outro detalhe observado em restaurantes, lanchonetes e afins são os copos com água, gelo e limão que os fregueses recebem assim que sentam à mesa e são regularmente completados. Você pode perfeitamente fazer uma refeição sem pedir nenhuma outra bebida. Ah!, claro, toda a água que você consumir é gratuita, tal como na Itália. Para fechar o quesito comes e bebes - mais bebes do que comes - e a própria crônica, não posso deixar de mencionar uma predileção minha: o suco de maçã local. Estou falando do industrializado mesmo, não do natural. É, de longe, a minha bebida oficial por lá. Mas, se o assunto é frutas, a fruta-símbolo da Georgia (estado do qual Atlanta é a capital) é o pêssego, presente nas placas dos automóveis e no nome de umas seis ou sete ruas - chamadas Peachtree - só em Atlanta. O inseto que representa a região é a abelha, escolhida como símbolo da universidade Georgia Institute of Technology, mais conhecida como Georgia Tech. Outras fotos no fotolog
Ronize Aline postou às 14:04
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